08 abril, 2009

Capítulo 18.

Perguntou para todas as pessoas em seu caminho, cada um indicava uma direção diferente. "Judith foi para cá", "Judith está na estante tal", enfim, uma infinidade de hipóteses. Sabia que nesse passo nela não iria encontrar a senhora tão cedo. Esgotada de idéias, resolveu ler mais um pouco o livro o adolescente.
"Eu era foragido nesta época, a polícia me cercava, me chamava de delinquente e perguntavam por que eu não trabalhava, por que eu era vagabundo. Fugia para a biblioteca, o santuário que me mostrou a beleza das letras, e as curvas de Joanne. Seus olhos transparentes, cabelos de sol, vestido vermelho, era de tirar o fôlego, me ensinou maravilhosas aulas de anatomia. Sei que nunca mas me apaixonaria completamente, mas... o que Joanne e eu tínhamos era especial, inquebrável, e também um pouco carnal. Minha amada me mostrou as maravilhas da cidade grande; Os carros, as músicas, o cinema! Quando vi pela primeira vez aquele ser bigodudo engraçado em preto e branco, Ela estava ao meu lado.
-Sujeitinho engraçado esse Chaplin, não?
-Sujeitinho genial esse Chaplin, não? - Riu, e me silenciou com seus lábios encostados nos meus."
"Koshir!", berrou Carmen, ao ver o indiano na poltrona ao lado.
-Querida! Quanto tempo! Onde Esteve? Parece que não nos vemos ha anos!
-Pois é, estive correndo atrás da verdade, mas está difícil. Koshir, você é indiano mesmo?
-Sim sim, percebe-se pelo meu nariz - Riu.
-Nossa, você fala espanhol tão bem, sem sotaque nem nada.
-Não sei falar espanhol querida, nunca soube.
Ela olhou com a sobrancelha em pé, como não sabe? Pode estar perdida naquele lugar, mas não é idiota. Ao notar a expressão da mulher, Koshit emendou:
"Deixe-me lhe explicar. Eu estou ouvindo você falando árabe, os ingleses nos ouvem na língua deles. Todos nós falamos do mesmo jeito, não sei como. Algo ou alguém pensou nisso perfeitamente nos mínimos detalhes. Mas eu não reclamo, melhor assim do que ninguém se entender, não?"

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