03 março, 2009

Capítulo 8.

Os barulhos distantes a incomodava, não deixava respirar fundo sem uma ponta de angústia, sentia que ia sufocar a qualquer momento. A um tempo atrás parecia estar realizada; Um emprego ótimo, família ideal, amigos fiéis e um marido para todo o sempre, sentia falta de tudo. Cada segundo que passava parecia horas, os passos eram quilômetros e tudo estava em câmera lenta, era tudo muito incerto. Desconfiava se isso tudo realmente era um sonho, mas... com tantos detalhes? Tantas pessoas que ela nunca viu? Afinal, Judith está certa ou não? Seria ela Deus?
Carmen ainda não estava pronta para a morte, tinha a sensação de algo incompleto, e o pior, não sabia ao certo o que e por que. "Só aqueles que souberam o que é vida vieram para cá." essa frase ardia em sua cabeça. "Saber o que é vida? Como se eu não sei nada de nada?", pensava, nunca fez reflexões profundas, então... como poderia saber isso, o que fazer dela se a única coisa que sente no momento é um vazio?
Voltou a hipotética realidade, parece que caminhou por tanto tempo que esqueceu o rumo. Olhava para todas as direções; Tudo igual. Estantes, livros, escadas, tochas, sons distantes. Tentou voltar mas não sabia se primeiro subiu ou desceu, ou se foi a esquerda ou direita. Resmungou sobre os corredores sem números.
-É irritante mesmo, não?
Carmen deu um pulo, fazia tempo que não ouvia outra voz além da sua. "De onde você surgiu? Quase tive um infarte!". Era um adolescente, aparentemente com 16 anos; Olhos castanhos, cabelos pretos e roupas simples. Camiseta, bermuda e chinelos.
-Acho que não caberiam os números nas estantes, são tantos assim como a quantidade de livros...
-Qual o seu nome, menino?
-Meu nome não importa, mas sim que estou aqui, não?
Ela se perguntava sobre isso. "Ah, mas enfim. Você pode me ajudar a sair daqui?"
-Pra quê sair? Você não está perdendo nada naquele salão mesmo.
-Como?
O jovem suspirou. "As pessoas se deslocam para o salão 'principal' por uma questão de segurança ou mesmo de senso comum. Eu paticularmente acho os corredores mais interessantes. Você fica em paz, sabe?"
-Já vi que você não vai me ajudar a sair dessa biblioteca.
-Sair, como assim? -O menino riu. -Isso é fora de cogitação, esse lugar não tem janelas, muito menos portas de saída! Estamos todos presos aqui, até talvez uma reencarnação.
-Não creio que você também acha estar morto.
-Oras, é só parar para analisar; Qual é a última lembrança que você tem antes de vir parar aqui?
Carmen faz um esforço, quando de repente, leva um susto e cai.

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